Gabriel Coimbra, aluno do sétimo período de Medicina na Univale, competiu com estudantes do mundo inteiro para ficar entre os 45 selecionados

“Gabriel é um bolsista de iniciação científica curioso é comprometido com a ciência. Ele é um aluno ousado e está sempre em busca de oportunidades para ampliar seus conhecimentos. Seu entusiasmo encanta e contagia quem está próximo dele”. A fala é da pesquisadora Sueli Siqueira, coordenadora do Núcleo de Estudos Multidisciplinares Sobre Desenvolvimento Regional (Neder) da Univale, do qual o estudante Gabriel Coimbra, de 23 anos, é bolsista de iniciação científica. 

Participar do projeto foi o primeiro passo de muitos que o estudante do sétimo período de Medicina deu em busca das atividades extra-classe. A última delas resultou na seleção para participar do maior congresso de educação médica do mundo — só no ano passado foram quase 4 mil participantes de vários países. O congresso é organizado pela Association for Medical Education in Europe (AMEE),  uma organização mundial que está presente em 90 países.

“Não só aqui no Brasil, mas em todas as partes do mundo, muitos estudantes não têm condições financeiras de participar desses congressos. Como forma de incluir os estudantes, eles oferecem bolsas cobrindo todas as despesas — taxa de inscrição, passagem aérea, alimentação. Em contrapartida, esses estudantes auxiliam na organização do congresso como um todo”, explica Gabriel. Ao todo, a federação distribui 45 bolsas para estudantes da área da saúde do mundo inteiro. 

Mudanças por causa da pandemia

Em 2020, o congresso da AMEE teria como sede a cidade de Glasgow, no Reino Unido. Entretanto, por causa da pandemia do novo coronavírus, os planos mudaram. Devido às restrições de circulação e à necessidade de distanciamento social, o evento acontecerá on-line, entre os dias 7 e 9 de setembro.

“Mesmo assim é uma oportunidade de aprendizado incrível. Eu acho que aí é que o ponto mais central de tudo isso. Porque, por exemplo, eu tô tendo a oportunidade de conhecer e de trabalhar frente a frente com pessoas surreais”, explica Gabriel. Curioso, ele não perdeu a oportunidade de pesquisar e conhecer melhor os outros 44 colegas de diferentes países que estão na força tarefa de estudantes ao lado dele.  

“Quando eu fui olhar o pessoal que passou junto comigo, eu pensei ‘gente, como que eu tô aqui?’.  A primeira pessoa que eu fui ver de onde era, faz Medicina em Harvard. Aí cliquei em outra, e ela é presidente da Liga Europeia de Câncer. O outro é Embaixador Jovem da ONU em Educação Médica. É uma experiência de aprendizado que eu acho que é impossível ter em sala de aula. Um contato direto, um network que agora eu tenho a oportunidade de ter”, destaca.

aluno de medicina Gabriel Coimbra

O processo seletivo

Gabriel ficou sabendo do congresso por um e-mail da IFMSA, sigla em inglês para Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina. Logo que viu a seleção para a força tarefa de estudantes, ele já enxergou uma grande oportunidade. Para participar, além de comprovar proficiência em inglês e disponibilidade de tempo, o aluno da Univale precisou fazer uma seleção on-line. 

Os critérios de seleção envolveram a análise do currículo, que avalia a participação do aluno em congressos, posições de liderança estudantil e outras atividades da experiência universitária que extrapolam a sala de aula. Além disso, Gabriel precisou escrever uma carta de motivação dizendo por que gostaria de participar do evento, e outra carta dizendo como irá usar a experiência que vai adquirir no congresso. “Basicamente, o que eles querem saber é o que você faz além do que você é obrigado a fazer”, resume o estudante.

Busca pelo aprendizado fora da sala de aula

Conversando com Gabriel, fica claro que o interesse em buscar além do que é dado é o que garante tantas conquistas. Desde o começo da graduação, o estudante tem se dedicado a ir atrás de tudo o que possa garantir uma formação rica em experiências positivas. “A primeira porta que me foi aberta para todo esse mundo foi a porta da pesquisa. Eu entrei no Neder como bolsista da professora Sueli Siqueira e do Professor Pedro Marçal. Essa foi a primeira porta, e daí eu expandi meus horizontes”, conta.

Além de buscar a formação extracurricular, ele ainda incentiva os colegas a fazerem o mesmo. “Se eu pudesse passar uma mensagem para os outros alunos, seria sobre a importância de ir além do currículo, além daquilo que é obrigatório, daquilo que é cobrado da gente. Eu costumo brincar com meus amigos que não existe nenhum médico no Brasil que não tenha passado pela faculdade de Medicina. Mas são poucos os que participaram do Centro Acadêmico, os que tiveram a oportunidade de ir a um congresso internacional, de participar de pesquisa. São poucos os médicos que sabem conversar em libras. A gente tem que procurar aquilo que nos torna diferentes. Se temos a oportunidade de acessar essas coisas além, a gente tem que abraçar”.