O mundo está em constante evolução e, podemos afirmar com certeza que, a chegada do coronavírus acelerou essas mudanças. Agora, a forma que as pessoas decidem se posicionar frente a essas transformações, é que determina o sucesso no final. É assim que o coordenador do curso de Medicina Veterinária, professor Victor Negrão, resumiu os novos formatos de aula ministradas durante a pandemia atual. 

Desde o início das atividades retomas, o objetivo era tornar as aulas mais dinâmicas, interativas e agradáveis. Sendo assim, a primeira ação proposta foi explorar ainda mais ferramentas tecnológicas para gravação de aulas in loco, no entanto virtual. Ficou em dúvida de como é possível estar em um lugar virtual? A gente explica logo abaixo como foi!

In loco virtual: métodos para estar presente mesmo à distância

Para facilitar o aprendizado durante esse período em que os métodos de ensino foram modificados, o curso de Medicina Veterinária apostou na dinamização das aulas, fazendo com que, os conteúdos que deveriam ser ministrados divididos em teoria e prática, se tornassem um só, “teórico-prático”, e possibilitando que os estudantes vivenciassem a prática em laboratório, mesmo de forma virtual. 

Tudo isso feito por meio de gravações, “como se o aluno estivesse entrando no laboratório e o professor podendo mostrar as peças anatômicas que já seriam utilizadas presencialmente”. De acordo com o professor Victor, as gravações precisaram ser adaptadas até chegar no jeito “perfeito”. Inicialmente, elas seriam em espécie de vídeo-aula do formato tradicional, com imagem e áudio. 

“Eu percebi que estava algo muito automático e monótono. Então eu pensei: se a gente vai utilizar os vídeos para ser um algo a mais durante a aula, ou seja, não é apenas entregar uma aula gravada para o aluno e falar ‘assista’, não vamos gravar o áudio, vamos apenas mostrar o que a gente gostaria que os alunos vissem com detalhes”, explicou o professor.

Com esse formato, tanto alunos como professores teriam liberdade para tornar a aula mais próximo do jeito “normal”. A professora pode narrar os vídeos no momento em que ela está ministrando ao vivo, o que torna a aula muito mais dinâmica, interessante e expositiva. E, uma vez que o áudio também é ao vivo, os alunos podem interagir durante o vídeo para sanar dúvidas, fazer questionamentos ou qualquer outra interferência de uma aula normal.

Assim, no formato teórico-prático, o professor ministra uma aula mostrando as imagens anatômicas de livro, depois utiliza um software em 3D, que mostra no modelo e, por fim, as gravações que apresentam as peças de forma real. Ou seja, o aluno consegue ver tanto a parte teórica em imagens de livro e software, quanto a prática com uma imagem anatômica real. 

O professor ainda explica que a ideia surgiu para tentar diversificar o ensino do assunto que estava sendo abordado, “deixar de uma forma mais legal, uma forma que eu gostaria de aprender ou de ver a anatomia. Foi uma coisa do momento que estamos vivendo, vendo uma situação e pensando como ela poderia ser melhorada”. 

A receptividades dos alunos 

O retorno dos alunos quanto às modificações foram imediatas. De acordo com o professor Victor, no primeiro vídeo exibido, ainda durante a aula, ele já começou a receber mensagens com elogios. Para ele, uma das estratégias para causar esse efeito, foi surpreender os alunos com “algo a mais”, saindo do básico de uma aula remota, mas sem contar os detalhes de como seria.

“Nós, do Núcleo da Saúde, pensamos da seguinte maneira: vamos mostrar na prática a coisa acontecendo pra depois falar pra eles a nossa ideia. A gente não avisou aos alunos como seria, porque existem os pré-conceitos. Talvez se a gente falasse isso pra eles, iriam pensar ‘não vai ser igual, não vai ser bom, não vai ser efetivo’, e em um momento em que todo mundo está à flor da pele, as vezes uma iniciativa nova não é bem aceita porque vai fugir do padrão. Foi uma estratégia muito assertiva e que de um modo geral todos saíram ganhando”, explicou.

E a ideia deu certo! Para a aluna Nayra Mendes, do 1º período, para este momento, o novo formato em que aulas têm sido ministradas é excelente. Ela ainda destaca que o esforço dos professores têm sido diferencial e as gravações também oportunizaram o conhecimento mais detalhado da anatomia. 

“Antes você não conseguia ter o mesmo contato mesmo visual com determinada peça, mesmo usando o software que ajudava um pouco, você não tinha a visão totalmente nítida igual estamos tendo com as aulas sendo gravadas no laboratório. Os professores têm bastante boa vontade, procuram saber se estamos com dúvidas, fazem as lives mais dinâmicas para que o conteúdo não fique tão cansativo e estão sempre à disposição”, ressaltou a aluna.

Tanto Nayra quanto o professor Victor destacaram a importância da dedicação, esforço e adaptabilidade dos alunos e professores diante dessa situação. “Frente a uma mudança, eu posso fazer dela benéfica pra mim ou não. As mudanças precisam acontecer, só que se eu ficar somente reclamando, o que eu vou ajudar para o todo? Por isso estamos melhorando a cada dia e buscando estratégias de fazer aulas diferentes e mais interativas, ir além de uma “aula on-line”, concluiu Victor.