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Foto de uma mulher negra cientista para ilustrar matéria sobre produção científica por negros, para o Dia da Consciência Negra

Apenas 15% da produção científica brasileira é feita por pesquisadores negros, diz Censo da Educação

18 novembro, 2022

O Dia da Consciência Negra, celebrado neste domingo (20), ajudou a dar visibilidade e ampliar discussões sobre diversas pautas da população negra, mas ainda há um longo caminho a se avançar. Na produção científica, por exemplo, o Censo da Educação Superior de 2020 aponta que apenas 15% dos trabalhos são realizados por pesquisadores negros – mulheres negras, que são 28% da população geral, são responsáveis por apenas 3% das pesquisas em universidades brasileiras.

Para a professora do Mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT) da Univale, Fernanda Cristina de Paula, essa sub-representação se dá por fatores históricos, como a herança do escravagismo no período colonial, e é agravada por recortes econômicos e de gênero.

“Quando você é pobre e negro, e a maior parte dos negros são pobres, fica difícil chegar ao ensino superior. E além de um recorte de raça, dos prejuízos históricos de ser negro, e de classe econômica, pelo fato de ser pobre, tem também a questão de gênero. Numa sociedade em que se espera que a mulher vai ficar em casa para limpar, para fazer a comida, para cuidar dos membros da família que são dependentes, sejam crianças, idosos ou alguém acamado, é notório que elas também vão ter maiores empecilhos, estruturalmente falando, para chegar ao ensino superior”, avalia Fernanda.

Problemas encobertos

Como consequência, aponta a professora, temas que afetam a população afrodescendente também são pesquisados em menor escala. “Por mais que a pesquisa tenda a ser imparcial e neutra, nós pesquisamos aquilo que nos afeta. E se você é uma pessoa branca, ou se você não é uma mulher negra, você não sente na pele as dores dessa mulher negra, e isso acaba não sendo tema de pesquisa. O fato de as mulheres negras estarem ausentes no campo acadêmico redunda na questão de que, ao mesmo tempo, não tem ninguém que se interessa maciçamente a pesquisá-las. Então os problemas delas acabam se mantendo cobertos”, afirmou.

Fernanda menciona a obra “Racismo estrutural”, de Sílvio Almeida, para ilustrar como algumas formas de racismo estão colocadas de forma velada na sociedade. Mas, frisa a professora, essas formas de racismo permanecem presentes. “Uma das discussões que ele [Sílvio Almeida] coloca é sobre o racismo institucional. Que é aquele racismo que está posto e a gente nem sabe ler como racismo. E um dos exemplos: quando você entra numa grande instituição, numa grande universidade, por exemplo, você olha em volta e não tem pessoas negras, ou negras da pele retinta. Daí a gente parte do pressuposto que existe um modo de funcionamento da sociedade que impede a chegada de pessoas negras – de todos os tons de pele, mas principalmente dos tons retintos – de chegar à universidade”, enfatizou.

Professora Fernanda Cristina de Paula
Mesmo apontando barreiras no acesso da população negra ao ensino superior, professora Fernanda de Paula vê avanços na visibilidade da questão étnico-racial

Consciência Negra e visibilidade

Mesmo considerando que ainda há barreiras para o acesso da população negra ao meio acadêmico, Fernanda de Paula reconhece que tem havido avanços, e que atualmente essas discussões têm mais visibilidade graças a ações como a lei que determina a discussão da história africana e da cultura afro-brasileira nas escolas, além da criação do Dia Da Consciência Negra – que, em algumas partes do país, é feriado.

“É uma data e virou um mês importante para a gente pensar as relações étnico-raciais aqui no Brasil. Para além do 20 de novembro, virou o mês da Consciência Negra, um momento de pausa para a gente falar sobre essas questões, e isso já aumenta a visibilidade. O que minha filha está vivendo hoje não chega nem perto da minha infância, de ver gente preta na tevê. Ainda que não preto retinto, da pele escura. Mas ver gente de cabelo crespo na rua, e daí por diante. Ouvir falar de cultura afro-brasileira. Esse tipo de coisa não tinha antes dos anos 2000”, recorda a professora.

A superação desse cenário, defende a professora, passa pela implementação de políticas públicas e ações afirmativas – como bolsas, cotas, e iniciativas de letramento racial que permitam às pessoas entender o racismo em suas diferentes formas. “Mas não só para os alunos. Isso já acontece, a gente tem disciplinas em que a gente pode tocar no assunto. Isso é super interessante. É uma abertura super bacana que a Univale já tem em algumas disciplinas. Mas também ter esse movimento de letramento racial para os funcionários em geral, todos os funcionários. Dos técnicos de limpeza à reitoria. Os professores, todos os professores, de todas as áreas. Isso seria um avanço significativo”, declarou Fernanda.

Apoio ao aluno

Coordenador do Espaço A3, de apoio ao aluno, o professor Edmarcius Carvalho relata que a Univale oferece orientações a estudantes, inclusive, caso seja necessário, intervenções psicopedagógicas na turma. Ele destaca que as discussões étnico-raciais estão presentes em momentos como a Semana da Diversidade e os seminários integradores dos cursos, além de fazer parte do Plano Institucional de Inclusão e Acessibilidade da universidade. “Temos metas de curto, médio e longo prazo, especificamente nas questões de acessibilidade atitudinal, que é justamente essa perspectiva, de ter um contexto universitário que se paute por uma cultura de paz e respeito às diferenças, sejam elas quais forem”, disse Edmarcius.

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